Arte e Política
A atualização deste blog foi questionada nesta semana pelo meu colega de trabalho Fábio Ricardo, em seu website. Fui obrigado a concordar com ele, desde novembro, a freqüência de novos textos por aqui é baixa. Mas me chamou a atenção o assunto “Política”, já que meu blog, originalmente cultural, foi citado com fonte de discussão política.
Arte e política são os dois assuntos que tenho maior afinidade. Eu sou ator, quis fazer Ciências Sociais, mas acabei cursando jornalismo na faculdade, projetando matérias das editorias citadas, mas acabei na geral do Jornal de Santa Catarina, onde sempre quando posso, produzo matérias com teor político.
A arte também pode ser politizada, mesmo que isso desagrade muitos artistas e apreciadores. Polícias culturais é um tema muito sério e pouco explorado pela mídia brasileira. Vivemos num país onde as artes e os esportes amadores sobrevivem através de ajuda do estado. As estatais federais sustentam atletismo, natação, etc. As leis de incentivo tiram a cultura brasileira da UTI. O custo disso é os artistas precisarem de influência com políticos para aprovarem seus projetos. Políticas públicas têm que ser feitas para mudar este quadro.
A recíproca também é verdadeira. Uma matéria sobre política se torna muito mais atraente com um olhar artístico. Um exemplo disso é a Carta Capital nº 428 de 24 de janeiro. O diretor de redação Mino Carta afirma que se Dante Aliguieri passasse perto da cratera aberta em São Paulo, ele encontraria o caminho do inferno. A linha de apoio da capa, também sobre o buraco do metrô é poética:
“A cratera no metrô é um símbolo da metrópole que exalta o individualismo, pisoteia o bem comum e avança célere rumo a autodestruição”.